Projetos
Escultura Uno
Por Marine Rios
Espelho Atelier
Por Marine Rios
espelho criar
Por Marine Rios
Academia no Vale
Integrada à paisagem e implantada de forma discreta no terreno, a academia se revela gradualmente, como uma descoberta em meio à vegetação. O projeto parte de uma premissa fundamental: preservar o protagonismo da natureza, estabelecendo uma relação de continuidade entre o ambiente construído e seu entorno. A proposta amplia o significado do espaço destinado à atividade física ao incorporar contemplação, convivência e contato com a paisagem à experiência cotidiana dos moradores. A composição arquitetônica é marcada pela horizontalidade e pela leveza visual. Uma ampla laje se projeta sobre o volume envidraçado da academia, conformando um terraço-jardim que amplia as possibilidades de uso e oferece um espaço de permanência ao ar livre. Além de definir a volumetria do conjunto, esse elemento estabelece uma transição entre interior e exterior, articulando os diferentes usos em uma composição que valoriza a integração com o ambiente natural. No pavimento inferior, a academia se organiza em um volume transparente, cujas fachadas envidraçadas estabelecem uma conexão visual contínua com a vegetação. A entrada de luz natural e a permeabilidade visual ampliam a percepção espacial, aproximando a prática de exercícios físicos do cenário externo. A materialidade reforça o caráter contemporâneo da edificação: o concreto aparente, os perfis metálicos pretos e as superfícies transparentes compõem uma linguagem sóbria, na qual a expressão dos materiais dialoga com a paisagem sem competir com ela. A implantação acompanha as particularidades do terreno e explora a relação com o vale, incorporando a topografia como condicionante da concepção arquitetônica. Nesse contexto, a paisagem ultrapassa a condição de pano de fundo e passa a participar ativamente da experiência dos usuários, orientando os visuais e qualificando a percepção dos espaços. O resultado é um equipamento de uso coletivo que concilia funcionalidade, convivência e contemplação. Ao articular implantação, materialidade e transparência, o projeto transforma a academia em uma extensão da paisagem e atribui novas dimensões ao espaço dedicado à atividade física. A arquitetura, nesse sentido, atua com discrição e precisão, valorizando o entorno natural e incorporando-o à experiência cotidiana dos moradores.
Por ROBERTO CIMINO
ILHA TRAPÉZIO
Conceito & Filosofia A cozinha, consagrada como o coração da casa e espaço de convivência, ganha neste projeto do arquiteto Pedro Paulo Pacheco uma abordagem que alia arte e inteligência espacial. O ambiente foi concebido como uma experiência singular, priorizando o conforto visual, a gastronomia e o acolhimento ao redor da mesa. Materialidade & Marcenaria Desenvolvido em parceria com a marcenaria DellAnno, o espaço destaca-se pela combinação precisa de texturas: Ilha em Madeira: Equipada com gavetas funcionais para o preparo dos pratos e prateleira ripada inferior para apoio decorativo. Bancada em Granito São Gabriel Escovado: Superfície inteiriça que garante o contraponto ideal com um toque de rusticidade e sofisticação. Diferencial Inovador A ilha é móvel, permitindo ser deslocada para a varanda em eventos ao ar livre, promovendo flexibilidade e integração total entre os ambientes.
Por Pedro Paulo Pacheco
Cozinha Casulo
Um jardim ao fundo destoa do restante. Se abre para cima, absorvendo a luz do dia para onde repousa. é singelo, mas presente em meio a todo o resto. Ao seu lado é onde se intervém; a cozinha, de pouca área, 4,23x 2,43/2,53 e 2,32 de altura. Aqueles que possuem um pouco mais de 1,60 tocam aquilo que seria o teto – ou a barreira entre material e imaterial, entre chão e céu. A partida é clara, um casulo dentro de outro. Ou quase uma caverna de tão pequena que é. A circulação - assim como dentro de uma gruta – dita o modo de ocupação do espaço – um corredor. O preparo e a refeição no meio sobre as bancadas suspensas que rasgam a parede e se tocam através de uma chapa metálica dão unidade para a coisa. Nas extremidades é onde os alimentos e objetos ficam armazenados em marcenaria. Sob o volume interno de aspecto monolítico nas paredes e piso, um rasgo se abre na cobertura trazendo a luz de fora para dentro. O projeto é assim como o jardim, um momento dentro casa, ou um luto do mesmo.
Por Estúdio Kaique Xavier
Banco Tatu
O Banco Tatu parte da abstração do tatu-bola, bicho-símbolo da fauna brasileira. A partir de sua carapaça tripartida, características como a articulação, forma e adaptabilidade se expressam no mobiliário por meio do movimento que torna-se múltiplo em si mesmo. O móvel parte de uma premissa já conhecida, o tradicional banquinho da casa brasileira, e distorce e retorce sua forma subvertendo em algo novo, e dando a autonomia ao usuário a subvertê-la também. O design, funcional e multiuso, permite inúmeras possibilidades para cotidianos diversos, como: sentar, fechar, abrir, apoiar, subir, descer e decorar. Além disso, como o animal, o móvel não se fixa em uma única posição, podendo desdobrar-se como uma pequena escada de apoio, ou assumir diferentes alturas, revelando, a cada configuração, uma nova possibilidade de uso. Foram exploradas técnicas tradicionais de encaixe em madeira, trazendo a possibilidade construtiva e desenho para a peça, resultando em um objeto pensado até o detalhe. Materialmente, o projeto se expressa através da articulação de elementos da cultura brasileira traduzidos na utilização de espécies nativas da flora do país, como o cumaru e o tauari. A partir disso, foram utilizados encaixes do tipo finger joints, que além de aumentar a integridade da estrutura, são incorporadas ao desenho da peça, de maneira a potencializar sua qualidade estética. O projeto explora técnicas tradicionais de marcenaria combinadas a processos contemporâneos de fabricação. Seus módulos são produzidos em madeira maciça através de peças usinadas em CNC e curvas realizadas por meio da técnica wood bend kerf, permitindo criar as formas do projeto com um uso mais racional da matéria. Para dar estabilidade à peça, são utilizados tubos e anéis metálicos no eixo do Banco Tatu. A base em semiesfera além de detalhe estético, é proteção e adaptação a diferentes superfícies e contextos. Assim, o Banco Tatu se consolida como uma investigação sobre a relação entre forma, movimento e matéria, em que cada escolha projetual participa da construção de uma linguagem única. A aproximação entre referências da natureza, saberes da marcenaria e recursos contemporâneos de fabricação resulta em um objeto que alia expressão e funcionalidade sem que uma se sobreponha à outra. Mais do que reproduzir uma referência, o projeto busca traduzir seus princípios em uma experiência de uso aberta e dinâmica, na qual a transformação da peça também transforma a maneira de percebê-la e incorporá-la ao cotidiano.
Por Julia Leme da Silva
estúdio criar
Por Mariane Rios
Travessia
A composição contrapõe a organicidade da madeira e o gesto manual.
Por João Muniz Junior
Banco Contraponto
A proposta investiga a relação entre estrutura racional e organicidade.
Por João Muniz Junior
Secreto, Salão de Beleza
O projeto foi concebido para além da estética.
Por Estúdio Kaique Xavier + Qoz Arquitetos
Apartamento não sou
A configuração do apartamento original propõe uma condição intuitiva de experiência, compartimentando cada pedacinho, sugerindo privacidade e pré-determinando usos e rotina.
Por Gruta Arquitetos
Entretempos
Entretempos é o refúgio de um apreciador de arte e design. É onde ele expõe sua coleção, dedica-se à leitura e recebe amigos. Um lugar em que cada obra, cada livro e cada objeto são testemunhas silenciosas de experiências, afetos e descobertas. Para contar essa história, Vitor Pellini optou por elementos que revelam discrição e profundidade. Em vez da ostentação, o projeto celebra a autenticidade e privilegia o essencial. Os tons sóbrios permitem que as texturas e as obras de arte se revelem com naturalidade, a madeira imprime densidade e acolhimento, e o chapisco preserva a expressão da matéria. A luz indireta desenha volumes, valoriza superfícies e transforma o ambiente ao longo do dia, fazendo da passagem do tempo parte da própria experiência.
Por Vitor Pellini
Espaço Casa Olivetto
Por Estúdio Mangava
Haras Entrevero
Por Estúdio Mangava
Restaurante LUME
Por Estúdio Mangava
Luminária de mesa C17+17
Existe um jeito de ver um tubo de alumínio e enxergar só isso: um tubo. E existe o jeito da Tubo. Nós vemos um cone escovado e enxergamos luz. Vemos uma junta usinada e enxergamos gesto. Vemos um cabo de aço tensionado e enxergamos o exato ponto onde a engenharia para de ser cálculo e vira desenho. Não fingimos que nossas luminárias são únicas quando não são, são seriadas, replicáveis, feitas para existir em escala. E não pedimos desculpa por isso. Porque autoria não é sobre ser a única peça na sala. É sobre ser a peça que ninguém mais teria coragem de assinar. Por isso nomeamos cada luminária pela própria ficha técnica. C17+17 não é poesia disfarçada de código, é código que virou poesia. A altura em centímetros não é detalhe de catálogo: é o nome próprio da peça. Cada peça se move. Se articula. Aponta, gira, se inclina, se equilibra num contrapeso. Porque luz parada é decoração. Luz que se articula é presença. Tubo. Porque toda grande peça começa como matéria-prima, a diferença entre indústria e autoria é só a coragem de dar um nome a ela. Na C17+17, o cone superior se articula sobre o cone inferior fixo a partir de uma peça articulada, e transforma o ângulo da luz em parte da experiência, como quem decide, todo dia, para onde olhar primeiro. A textura escovada capta a luz em linhas finas e contínuas, mudando de tom conforme o ponto de vista. Um fio têxtil vermelho desce da base e rompe a paleta metálica da peça com uma cor viva, quase um traço de caneta sobre uma superfície técnica. O resultado é um objeto que parece desenhado, não apenas fabricado.
Por Leonardo Trindade Gigioli
UMA ESCOLA SUSTENTÁVEL - BRASIL
A Escola Municipal Rural Nossa Senhora da Conceição, em Mogi das Cruzes (SP), foi transformada no âmbito do programa Escola Sustentável Brasil, criado pela ONG TAGMA (Uruguai).
Por ESTUDIO ABERTO
LOJA 2 TETÊ CONFEITARIA
Por gabriel santiago de oliveira
Sede Administrativa Med First
"observar os produtos comercializados pela empresa numa espécie de vitrine turva e cenográfica."
Por gabriel santiago de oliveira
CASA DELTRAP
O diálogo com o entorno é complementado através da escolha de poucos materiais que combinam muito bem com o lugar.
Por Suelem Leite
Casa Mangueira
Para assegurar sensações de bem-estar e conforto aos moradores, não somente a frondosa mangueira – que nomeia a obra – foi preservada na entrada social, como também toda a extensão verde que circunda.
Por Celso Fernando Laetano
Casa 7
Uma casa contemporânea, aberta, fluída, com lazer integrado e paisagismo muito presente.
Por Celso Fernando Laetano
Casa AM
Area livre, cuidados com águas pluviais e o cuidado com o “afundamento” visual da construção no lote.
Por comover arquitetura (Fernando Gobbo e Larissa França)
Casa Ella
Por Pedro Laterza
Residência A Porta Azul
Por Rafael Pinoti
CASA CEDRO
CASA CEDRO Implantada em um terreno com forte declive e vista privilegiada para um lago, a Casa Cedro traduz o desejo de habitar a paisagem com leveza e profundidade. O projeto se ancora no relevo natural, permitindo que a topografia conduza a arquitetura. A chegada se dá pelo nível superior, onde estão localizados os dormitórios e o escritório. Descendo pela escada em balanço, revela-se a área social e serviço, marcada pela integração entre estar, jantar e cozinha, todos voltados para o horizonte. Estruturas maciças de concreto garantem presença e estabilidade formando uma caixa que emoldura a paisagem, enquanto as aberturas estrategicamente distribuídas asseguram iluminação e ventilação naturais. A piscina, posicionada junto à copa das árvores, parece flutuar sobre o vale, intensificando a atmosfera de suspensão que permeia todo o conjunto. No subsolo, voltado para um gramado que se abre em direção à paisagem, encontram-se a sauna, o vestiário, e a sala de ginástica, ampliando as possibilidades de lazer e bem-estar sem perder a integração com o entorno. Mais do que uma residência, a Casa Cedro é uma imersão no cenário, um diálogo poético entre arquitetura, paisagem e matéria.
Por FERNANDA PADULA
CASA ROYAL
Por FERNANDA PADULA ARQUITETURA
Hospital Dia - IVision
Arquitetura hospitalar como instrumento de organização, cuidado e cura.
Por Carla Andrade
Casa FF
Por Comover Arquitetura
Eco Escola Jardim
A arquitetura da Escola Jardim em Limeira transforma um lote estreito em um pavilhão fluido e integrado à natureza
Por ADRIANO CALABRESI DO COUTO SOUZA
Casa MP
Por Taguá Arquitetura
Galeria Monet
Desnível transversal e um perímetro de geometria irregular.
Por Comover Arquitetura
Casa Torto
"Contemporâneo, de obra pré-fabricada e sustentável."
Por Thiago Benedetti Brugnolo
CASA CAPIXABA
Por BIOMA Arquitetura
Borogodó
Três módulos em MDF se combinam para criar de estantes a mesas de apoio
Por Alessandro Nikos Tineli
Casa Curva
O uso de linhas curvas e brises reduz a área construída para criar um espaço fresco e totalmente integrado aos jardins
Por Eduardo Franco Correia (efcarquitetura)
Espaço Expositivo Lidia Lisbôa
Na capital paulista, um espaço expositivo desenhado sob medida celebra o fazer manual e o uso de matérias-primas naturais na arte contemporânea
Por efcarquitetura
Apartamento SBC
Soluções de marcenaria inteligente e integração total transformam este pequeno duplex em um espaço amplo e funcional
Por Studio Papaya
Projeto novo Museu de Arte Contemporanea do Panamá
O Museu de Arte Contemporânea propõe uma arquitetura que nasce do clima tropical, devolvendo à cidade um espaço público protegido. Sua forma orgânica não é um mero gesto escultural, mas uma resposta à necessidade de um espaço fresco e arejado que convide à atividade urbana e à permanência. O projeto propõe a criação de um ambiente amplo que conecta o edifício do museu com o entorno exterior, permitindo que a paisagem permeie a construção, tornando-se parte integrante dela e não apenas seu contorno.
Por Gianfrancesco Mano
CASA LIV
Nascido de um desenho da própria moradora, o projeto elimina barreiras entre sala, cozinha e jardim para criar uma rotina familiar completamente integrada. A Casa Liv, localizada em Bauru e projetada pelo escritório Fagner Mendes Gava Arquitetos, estabelece um diálogo sensível entre o espaço construído e a experiência de morar. Longe de se revelar em um primeiro olhar, a residência se transforma ao longo do dia por meio da luz, dos percursos internos e da constante transição entre o interior e a vegetação. O ponto de partida para essa concepção nasceu de uma colaboração estreita entre os profissionais e a proprietária, cujo envolvimento inicial foi determinante para o layout integrado. "Eu desenhei no papel", compartilha a cliente Lívia, ao recordar o esboço inicial que trazia o desejo de uma conexão total entre a cozinha, a sala e a área externa. A partir dessa premissa, a parceria técnica buscou viabilizar uma fluidez cotidiana, onde as atividades da família pudessem acontecer de forma livre e sem barreiras visuais ou físicas. Visualmente, o projeto adota uma postura de discrição e equilíbrio, partindo do princípio de que a redução de excessos é capaz de revelar o essencial. Na fachada, a combinação do concreto aparente, da vegetação e de um extenso fechamento em muxarabi metálico confere identidade sem necessidade de adornos. Esse muxarabi, inclusive, não se restringe à porção frontal da residência; ele se prolonga por toda a lateral, mediando a relação entre a arquitetura e o paisagismo desde o acesso principal até os fundos. O elemento atua como um filtro dinâmico que suaviza o sol da tarde, promove a ventilação natural e projeta desenhos geométricos de luz e sombra nas superfícies internas, transformando a iluminação natural no elemento que dita o ritmo dos ambientes. A transição entre as áreas sociais e íntimas reforça essa atmosfera de calma, utilizando as esquadrias como segundas camadas de filtragem da luminosidade. O desenho técnico dos caixilhos foi planejado para que as esquadrias praticamente desapareçam quando abertas, graças a perfis mínimos e painéis de vidro de canto a canto. Essa solução elimina as barreiras visuais e promove uma real integração, permitindo que a sala se expanda em direção ao deck externo e que as dinâmicas familiares -- como o movimento das crianças ou um café da manhã que se estende para o quintal -- ocorram de maneira contínua. Ao cair da noite, a percepção da Casa Liv se inverte, e a iluminação interna passa a se projetar para o exterior através da pele metálica vazada. A eficiência do projeto se consolida não por componentes isolados, mas pela sinergia entre a luz indireta, a presença constante do verde e a amplitude espacial. Ao abrir mão de portas desnecessárias nos ambientes de convivência, a arquitetura cumpre o papel de acolher o cotidiano, transformando conceitos técnicos em uma experiência de conforto e permanência.
Por Fagner Mendes Gava
EDIFÍCIO LAVIT
Edifício residencial composto por dez pavimentos e apartamentos de 41m² e 64m². Sua área de lazer está no sétimo andar, como uma grande praça elevada, piscina, academia, lavanderia compartilhada, coworking, brinquedoteca e churrasqueira integrados e sem paredes, com vista para o pôr do sol, possibilitando a socialização dos moradores.
Por Fagner Mendes Gava
Delattio Gelato
Design de interiores comercial aposta em fluxo integrado e mobiliário exclusivo
Por Cacau Ribeiro Interiores
Casa Circular
Projeto elimina degraus e elevadores com sistema de rampas em espiral e fachada metálica automatizada
Por efc Arquitetura
Escola de Mulheres Criadoras
Com estrutura de bambu e paredes de pau-a-pique, o salão octogonal da Escola de Mulheres Criadoras em Botucatu concorre ao 3º Prêmio PROJETO de Arquitetura.
Por Tomaz Lotufo
Dois Tempos
Falar sobre "Dois Tempos" é contar uma História sobre épocas diferentes. É sentar na varanda num fim e tarde de Domingo ouvindo a cadeira balançar enquanto a nostalgia da infância chega leve, como a brisa de verão. É pensar, que nos dias atuais, essa brisa passa despercebida, pois a falta de conexão com o entorno faz o tempo passar sem sentir nada. É refletir sobre o que passou e o que é presente. Garimpar um imóvel antigo era a premissa do cliente. Não bastava só carregar a história, mas ter potencial de transformação, para se tornar o novo Cartório Civil de Jaú. Assim, a Casa Rangel 608, a qual foi um refúgio familiar por gerações, localizada em uma das principais ruas do centro da cidade, foi a escolha que garantiu a realização desse sonho. Fazer a adequação de uso do Patrimônio Histórico talvez seja o maior desafio, pois o atendimento ao público requer cuidados com acessibilidade, readaptação de ambientes e tecnologia, para comportar todos os detalhes de funcionamento e lógica espacial. Para isso, a criação da rampa de acesso trouxe um passeio visual, por onde é possível admirar os detalhes construtivos do que está por vir. A fim de garantir a ventilação natural e o controle solar, nos dias de calor excessivo, a recepção externa ganhou cobertura articulada e brises verticais, para acomodar os clientes nos dias em que há maior fluxo de pessoas. Além disso, a alteração de uso abre lacunas a serem observadas sobre a necessidade de melhoria na segurança para documentos e alguns serviços a serem realizados. A disposição dos ambientes eram os fatores mais relevantes a se considerar na formulação dos espaços e acréscimo deles. Dessa forma, a construção de anexos e abertura de vãos garantiram a ligação entre os espaços, preservando a arquitetura e melhorando a circulação e comunicação entre eles. O Conceito do Projeto "Dois Tempos" fala sobre uma Arquitetura de época, cheia de elementos e cuidados ornamentados, na qual o processo era saboreado no seu tempo, no seu ritmo de conquistas minuciosas, com camadas de pinceladas históricas. O Atual não tem tempo a perder. Trabalha pelo imediatismo e com resultados perfeitos. Precisa ser prático e funcional. Precisa ser contrário ao que se foi. Materiais originais como paredes em tijolos maciços, piso de assoalho, degraus em granilite e as diversas camadas de tintas em pilares e esquadrias foram cuidadosamente restaurados, para aquecer os ambientes de trabalho e contar mais sobre sua história. Para incorporar os novos espaços, o uso de elementos arquitetônicos "claros e simples" possibilitaram manter evidente a arquitetura existente. Blocos robustos e minimalistas, com cores terrosas e vibrantes criam contrastes, mas dialogam com os tijolos das alvenarias aparentes, trazendo um link entre períodos arquitetônicos. Trabalhar o Retrofit da arquitetura de patrimônio histórico traz uma reflexão sobre o que se pode deixar como marcas desse tempo. Existe graça no que parece ruína e deixar isso escancarado mostra que as rugas fazem parte da beleza.
Por Studio Neuville
CASA RAMENZONI
Residência integrada à paisagem, com volumes horizontais e espaços fluidos que conectam interior e exterior.
Por KA2R Arquitetura
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