Casa da Luz

CASA DA LUZ — Arquitetura, memória e natureza
A Casa da Luz nasce do encontro entre arquitetura, memória e natureza. Seu nome expressa uma escolha de projeto: aproveitar ao máximo a iluminação natural.
A relação com a natureza começa na implantação. Nos fundos do terreno, uma árvore do cerradão de Botucatu, conhecida como “Pau Tucano”, crescia praticamente deitada. Em vez de removê-la, a casa foi desenhada ao seu redor, incorporando sua presença à vida cotidiana. A construção foi posicionada mais próxima da rua, preservando um grande quintal que reúne espécies nativas preexistentes e o paisagismo, assinado por Cíntia Zanotto.
A fachada voltada para a rua é mais fechada, criando uma entrada que reserva uma surpresa. Ao chegar à área social, uma ampla superfície de vidro na estrutura de madeira revela a paisagem dos fundos. No caso, a natureza representa a continuidade do espaço interno, como se a natureza entrasse na casa.
A planta organiza-se em dois setores principais, social e íntimo, em uma configuração próxima à forma de um T. A área social integra os ambientes e se abre para o quintal, de modo que estar nesse espaço é também estar envolvido pela vegetação. A cozinha mantém certa autonomia, permitindo tanto encontros coletivos quanto momentos mais reservados. Os quartos principais estão orientados para nordeste, buscando uma insolação favorável ao longo do ano, enquanto a organização da casa favorece a proteção dos ventos de tempestade.
A materialidade reforça a atmosfera acolhedora e brasileira da casa. O piso cerâmico em tons terrosos dialoga com a madeira, a palha, o algodão, a vegetação e as esculturas da Ilha do Ferro. A luz natural valoriza as texturas e as cores, aproximando os ambientes das tonalidades e dos materiais presentes na natureza.
A memória também está na construção. Parte da madeira veio de uma antiga casa da família, em Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, onde uma das proprietárias passou a infância. Outra parte veio de construções demolidas na própria cidade. Esse reaproveitamento expressa um princípio da arquitetura ecológica: reconhecer o valor do que já existe, reorganizar a matéria e pensar o novo a partir do existente.
No interior, uma escada aberta para um pátio ajardinado conduz ao pavimento superior, onde fica um quarto e escritório. A vegetação acompanha o percurso e permite a entrada de luz natural. O pátio também integra um sistema de tratamento biológico das águas cinzas provenientes dos chuveiros e das pias, reunindo paisagismo, iluminação e infraestrutura ecológica em um mesmo espaço.
Jardins de chuva, cisterna para armazenamento de água pluvial e sistemas de tratamento e reuso da água complementam as estratégias ambientais da casa, reduzindo o consumo de água potável e valorizando os ciclos naturais.
A Casa da Luz propõe uma arquitetura que vai além da incorporação de novos materiais sustentáveis. Ela parte do reconhecimento da memória, da paisagem e dos recursos disponíveis para construir uma relação mais consciente com o ambiente.

    Categoria: Residencial

    Localização: Botucatu

    Ano: 2022

    Área: 250m²

    Escritório: Tomaz Amaral Lotufo

    Créditos: Lela Leme