Planetário Newton Freire Maia
O Planetário do Parque da Ciência Newton Freire Maia surge como o mais novo anexo, e também como atração principal do parque já existente. Localizado em um Pinhais, na Grande Curitiba, o edifício combina o que se tem de mais moderno e avançado no quesito de construção modular e obra seca, ao mesmo tempo que se integra profundamente com a natureza que o rodeia. Todo pensado em um misto de madeira engenheirada com estrutura metálica, é uma construção que visa ser erigida em tempo extremamente diminuto com o menor impacto ambiental possível. É previsto um fluxo anual de 140.000 visitantes no edifício, tornando-se um polo de atração para a região. Ademais, todo o programa funcional é voltado à disseminação do conhecimento científico, contando com inúmeros espaços de aprendizado e exposições e também lançando mão do sistema mais moderno de sala de projeções disponível no mercado atualmente.
O conceito da edificação surgiu através da ideia de se replicar a órbita dos astros, de maneira que uma edificação circular traria essa referência, criando uma conexão com a temática da astronomia abordada no edifício. Sua volumetria, trabalha, dentro do conceito de circunferência, diferentes pés-direitos e diversas espacialidades, indo desde uma escala macro, para ambientes amplos como o saguão principal, até a escala micro, salas de aula, salas de convívio e administrativo, mantendo a mesma atenção e rigor estético independente do uso do ambiente. Para a materialidade, a madeira se sobressai, estando presente em praticamente todos os ambientes. Foi priorizado o uso de materiais naturais, como pisos de pedra e revestimentos em concreto, aliados a mobiliários de uso coletivo que priorizam os encontros e interações entre os visitantes. Sua dinâmica circular favorece os fluxos internos, sendo que a própria edificação coordena e conduz a circulação sem grandes esforços.
O projeto foi desenvolvido para se utilizar do que existe de mais moderno disponível na construção brasileira. Com estrutura totalmente modular em MLC e CLT e conexões metálicas, temos um processo construtivo industrializado e de alta precisão, reduzindo desperdício e otimizando o tempo de obra (previsto para 10 meses). Grande parte da obra (com exceção das escavações e fundações) é praticamente uma montagem como se fosse um "Lego", peças numeradas que se repetem em todas a edificação são entregues na obra em operação "just in time" onde a fabricação trabalha em conjunto com a obra, produzindo as peças conforme chega a necessidade do seu uso in loco, dentro de um rígido e bem planejado cronograma. Tal metodologia reduz atrasos e desperdícios, tendo um mínimo descarte de materiais. Todos os projetos sem exceção (arquitetura, estruturais, instalações, AVAC, luminotécnico, paisagismo, comunicação visual) foram elaborados em BIM, otimizando a construção antes mesmo dela ser iniciada.
A Estrutura da edificação é modular em quase sua totalidade (a exceção da torre de circulação vertical). No bloco principal, temos dois tipos de pórticos estruturais (um de 7m e outro de 4m de altura aproximadamente) os quais se repetem em intervalos de 10 graus, organizados de maneira radial. Com essa decisão estrutural, reduzimos drasticamente o número de peças distintas que serão utilizadas na montagem da estrutura, otimizando a fabricação e facilitando a montagem. O fato de se ter uma lista diminuta de peças diferentes, também facilita a manutenção e prolonga a vida útil, sendo fácil a troca ou reparo das mesas (as principais peças estruturais e de vedação são “montadas” e não “coladas/assentadas”, permitindo uma fácil remoção e/ou substituição. Até mesmo os revestimentos de paredes externas são modulares, em chapas de ACM fixadas uniformemente ao longo da fachada.
No quesito da sustentabilidade, o projeto conta com um sistema estrutural que, diferente dos métodos tradicionais, sequestra CO2 da atmosfera. Seus 761 metros cúbicos de madeira engenheirada representam 685 toneladas de CO2 removidos da atmosfera. Quanto à eficiência energética, o edifício foi projetado para neutralizar seu consumo de energia através de uma fazenda solar (a qual também será uma das "atrações" do Parque da Ciência). Apesar da geração de energia fotovoltaica, decisões de projeto como a presença de elementos de controle solar e ventilação cruzada em praticamente todos os ambientes de uso comum, minimizam ainda mais o impacto energético da edificação. Foi pensado também um sistema de coleta de águas pluviais, o qual complementará o sistema de irrigação do parque. Áreas de reflorestamento com a presença de espécies nativas circundam a edificação, visando conectá-la aos elementos naturais pré-existentes, contribuindo também para a redução na temperatura do entorno imediato.
A grande maioria da estrutura da edificação é de madeira engenheirada (MLC e CLT) a qual é um ótimo isolante térmico por si só; Paredes em woodframe com isolamento em lã de PET garantem o isolamento térmico dos fechamentos; Mesmo contendo um brise que circunda toda a edificação, películas de controle solar incolor foram especificadas nos vidros externos a fim de se evitar a toda maneira calor excessivo no final da tarde; Na cobertura, foram utilizados o telhado verde (método de bandejas) e a argila expandida a fim de se isolar a cobertura em si dos raios solares. Todos os ambientes (com exceção da sala de projeções, que deve permanecer em temperatura e umidade constantes, e do auditório) foram pensados para ter ventilação cruzada e minimizar a utilização do sistema de climatização. Foi pensado também em um uso extensivo de vegetação e paisagismo circundando o edifício, de maneira que as árvores um dia farão uma barreira contra a luz e o calor do Sol.
O uso extensivo da madeira é o ponto principal na questão da saúde dos visitantes e colaboradores. O aconchego e a tranquilidade visual que o ambiente repleto de madeira proporciona àqueles que frequentam a edificação, contribui para a saúde mental e bem-estar dos mesmos. A integração com a natureza e o extenso projeto de paisagismo também colaboram positivamente para o bem-estar de todos que por lá circulam, promovendo experiências como piqueniques, caminhadas, contemplação de espécies nativas dentre outras atividades ao ar livre. O uso de iluminação de temperatura 2700K também colabora para a sensação de acolhimento no interior do edifício. Na sala de projeções, o projeto conta com um sistema de filtros e climatização a fim de se manter a temperatura e umidade constantes e também minimizar a presença de poeira, garantindo condições ideias para a operação e para o bem-estar dos visitantes.
O projeto está intrinsicamente integrado com seu entorno. Foi escolhida uma clareira no amplo terreno de aproximadamente 270.000 m², com proximidade à rua, para se implantar a edificação. Espaços destinados ao reflorestamento e um paisagismo desenvolvido combinando anéis e raios de circunferências concêntricas, o edifício busca desaparecer em meio à vegetação, tornando-se parte do parque que o rodeia. O uso de da madeira e de tons neutros na fachada respeitam os elementos naturais do seu entorno, fazendo com que o prédio não tente competir, mas sim ser um complemento dos elementos adjacentes. Como a área escolhida já era majoritariamente plana, pouquíssima terra foi movimentada, reduzindo o impacto no terreno. Por se tratar de uma extensão do parque já existente, o edifício convida o acesso de todos que circulam pela região, servindo como mais um sistema de lazer, cultura e contemplação da natureza na região de Curitiba.
Categoria: Projetos conceito (não executados)
Localização: Estrada da Graciosa, 7400, Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, PR
Ano: 2027
Área: 5.534m²
Escritório: Nardo Grothge Arquitetos
Créditos: Gabriel Grothge e Rita Nardo
