CASA SEM COR
A Casa Sem Cor foi implantada em um terreno de dimensões enxutas, dentro de um condomínio residencial no interior de São Paulo.
A Casa Sem Cor foi implantada em um terreno de dimensões enxutas, dentro de um condomínio residencial no interior de São Paulo. Localizado em um dos pontos mais altos da cidade e diante de um dos limites do loteamento, o lote não possui construções diretamente à sua frente, condição que favoreceu a abertura da casa para a paisagem e garantiu maior privacidade aos moradores. A residência foi organizada em dois níveis. No térreo, os espaços de convivência permanecem abertos e integrados entre acesso, abrigo, pátio e jardim. Sobre eles, um volume concentra os ambientes íntimos e se abre para a vista da cidade através de um grande plano de vidro. A diferença de nível em relação à via interna e a distância das construções vizinhas permitem essa transparência sem comprometer a privacidade.
A implantação também considera a orientação solar, a ventilação e a iluminação naturais. A fachada principal recebe o sol da manhã, enquanto os fundos recebem o sol da tarde, direcionando a organização dos ambientes e das aberturas. A construção utiliza poucos materiais e procura mantê-los próximos de seu estado original. Blocos de concreto permanecem aparentes, assim como vigotas e lajotas cerâmicas da cobertura. Concreto, madeira, vidro e paredes brancas completam o conjunto. A redução de revestimentos diminuiu custos e fez da própria construção o acabamento da casa.
No térreo, um tapete de pedra portuguesa atravessa o vão livre e conduz o acesso. Esse espaço funciona como uma pequena praça coberta, criando uma área de encontro e permanência e permitindo novas formas de ocupação ao longo do tempo. O térreo livre também possibilita futuras expansões de acordo com as necessidades dos moradores. O projeto nasceu de uma condição financeira objetiva: realizar o desejo de morar em um condomínio residencial dentro dos limites de um financiamento enxuto. Em vez de reduzir a arquitetura, buscamos simplificar sua construção e concentrar os recursos em espaço, iluminação, ventilação, privacidade e relação com a paisagem. É dessa economia de elementos que surge o nome Casa Sem Cor. A cor não é utilizada como acabamento, mas aparece naturalmente nos próprios materiais: no cinza dos blocos e do concreto, no vermelho da cerâmica, na madeira, na vegetação, no azul pontual e nos reflexos do céu sobre o vidro.
A casa não pretende estar encerrada. Foi pensada para receber novos usos, adaptações e ampliações conforme a vida de seus moradores se transforma.
Uma arquitetura sem excessos, que não precisa ostentar revestimentos luxuosos ou coberturas requintadas. Aberta à luz, ao tempo e à vida. Uma Casa Sem Cor, mas nunca sem vida.
Categoria: Residencial
Localização: Birigui/SP
Ano: 2024
Área: 120m²
Escritório: Rafael Pinoti Arquitetura Ltda
Créditos: Daniel Santo
