Hospital Dia Ivision

Arquitetura hospitalar como instrumento de organização, cuidado e cura.

O Hospital Dia I-Vision, em Marília/SP, foi desenvolvido a partir de premissas técnicas próprias da arquitetura para a saúde, mas também de um olhar ampliado sobre as necessidades das pessoas que utilizam e vivenciam esses espaços.
Antes de falar propriamente sobre o projeto, é importante destacar que projetar na área da saúde é sempre um desafio. Além das questões técnicas e normativas, ainda precisamos romper barreiras socioculturais e modelos previamente estabelecidos, que muitas vezes limitam a inovação e a busca por novas soluções.
Ao longo do processo, idealizamos soluções como os brises na fachada, que proporcionariam um desempenho mais adequado ao projeto, especialmente na relação entre ventilação natural, conforto ambiental e controle de contaminação. Embora essa solução não tenha sido executada em função de decisões posteriores, ela representa parte do pensamento que orientou o desenvolvimento do projeto.
Inovar em uma cidade de aproximadamente 260 mil habitantes, romper paradigmas e buscar materiais, tecnologias e soluções alternativas fora dos modelos tradicionalmente utilizados pelo mercado local representou uma importante evolução para o nosso escritório.
Além das premissas técnicas, buscamos referências na saúde coletiva para compreender as necessidades individuais e coletivas que envolvem o cuidado em saúde. Partimos do entendimento de que cada indivíduo carrega consigo uma combinação própria de necessidades, cabendo ao profissional desenvolver uma escuta ampliada e sensível para identificá-las.
A implantação no térreo prioriza acessibilidade e logística operacional. Foram previstas vagas destinadas a pacientes, com acesso direto e protegido ao edifício, reduzindo riscos associados a intempéries aspecto essencial em unidade oftalmológica, considerando pacientes com baixa acuidade visual ou em pós-operatório. O pavimento térreo também concentra áreas técnicas, incluindo reservatórios inferiores, gerador, armazenamento temporário de resíduos e sistema de bombeamento dimensionado para atender às demandas de consumo e combate a incêndio, preservando desempenho estético e funcional.
O lote com acessos pela Avenida das Esmeraldas e Rua Wagner Gomes Fernandes possibilitou segregação de fluxos, princípio fundamental em projetos de saúde. Foram definidos acessos independentes para pacientes e colaboradores, garantindo circulação funcional, controle sanitário e otimização das manobras externas. Essa setorização se mantém verticalmente, com circulações distintas por meio de escadas e elevadores.
O programa foi estruturado em quatro macrosetores: atendimento e recepção; área de exames e consultórios; centro cirúrgico; e setor exclusivo de colaboradores. O centro cirúrgico contempla vestiários de barreira para pacientes e equipe, pré-operatório, salas cirúrgicas, RPA (Recuperação Pós Anestésica) com posto de enfermagem e áreas técnicas, assegurando controle de infecção e fluxos limpo-contaminado conforme diretrizes sanitárias vigentes.
Na recepção do Hospital Dia I-Vision, a arquitetura biopsicossocial atua como um recurso passivo de bem-estar.
Entrar em um ambiente de saúde não precisa ser uma experiência fria ou intimidadora. No Hospital Dia I-Vision (Marília/SP), desenhamos a recepção sob a ótica da hospitalidade, criando uma ponte fluida entre o ambiente externo e o conforto interno.
Destaques do projeto arquitetura e interiores:
Luz Natural & Conexão Externa: A fachada translúcida emoldura a paisagem sem perder a privacidade, inundando o ambiente com luz natural que ajuda a acalmar a mente e reduzir a ansiedade pré-operatória.
Layout Estilo Lounge: Acomodação confortável para até 50 pessoas que rompe com as tradicionais fileiras de espera, estimulando um convívio humanizado e acolhedor.
Materialidade & Sofisticação: Painéis ripados em madeira de tom quente, linhas curvas suaves, tapete orgânico e iluminação pontual que geram uma sensação de conforto.
O design que acolhe também cura. O contato com a iluminação natural e com elementos de vegetação reduz o estresse e a ansiedade em ambientes hospitalares, fatores críticos em procedimentos cirúrgicos. Um paciente calmo tem menor risco de apresentar picos de pressão arterial, garantindo a fluidez da agenda do centro cirúrgico.
As especificações técnicas foram definidas com base nas normativas aplicáveis a estabelecimentos assistenciais de saúde. Foram adotadas portas com dimensionamento hospitalar e aberturas corretas, lavatórios com acionamento automático, revestimentos com baixo índice de absorção, mantas vinílicas e tintas laváveis. Nas áreas críticas, especificou-se piso vinílico condutivo para dissipação de cargas eletrostáticas, prevenindo interferências em equipamentos sensíveis e aumentando a segurança assistencial. Bancadas e superfícies apresentam índice de absorção inferior a 0,5%, assegurando impermeabilidade, resistência química e controle microbiológico.
O sistema de climatização foi dimensionado com filtragem por HEPA (High-Efficiency Particulate Air) garantindo renovação e purificação do ar nas áreas críticas. A iluminação foi planejada para desempenho técnico, incluindo uso de luz azul como recurso auxiliar para aumento de contraste visual e redução de fadiga em procedimentos prolongados.
A área técnica integra central de gases medicinais, CME (Central de Material Esterelizado), expurgo, armazenamento temporário de resíduos e apoio logístico, organizados conforme rotina operacional. O dimensionamento considerou tempo cirúrgico, número de colaboradores, permanência em RPA e especificações de equipamentos, assegurando compatibilização elétrica e térmica adequada.
No rooftop, um espaço de descompressão foi criado para a equipe, promovendo bem-estar, integração e treinamento. Mais do que atender protocolos, o projeto entende a arquitetura hospitalar como instrumento de organização, cuidado e cura.