Exposição em São Paulo revela a engenharia da carpintaria tradicional japonesa
A mostra apresenta estruturas sem o uso de pregos ou cola por meio de técnicas de encaixe na madeira.
De 5 de maio a 2 de agosto de 2026, a Japan House São Paulo recebe a exposição gratuita "Imbuídos das forças das florestas do Japão – KIGUMI: revelando a carpintaria por trás da junta de madeira", localizada no segundo andar de sua sede na Avenida Paulista (Japan House São Paulo, 2026a). A mostra fica aberta ao público de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h (Japan House São Paulo, 2026a). Essa atração marca a segunda parte de um projeto iniciado em 2025; enquanto a primeira etapa se dedicou a apresentar o cotidiano dos carpinteiros e suas ferramentas em construções de santuários e casas de chá, este novo momento redireciona o olhar do público para focar especificamente na milenar técnica de encaixes (Japan House São Paulo, 2026a).

A instituição conclui esse ciclo de programações voltadas à carpintaria tradicional japonesa com uma exposição focada na excelência das engenharias manuais (Geenen, 2026). O ponto central da mostra é o sistema conhecido como kigumi, um método antigo de encaixe que une peças de madeira associando perfeitamente a forma plástica à função prática (Japan House São Paulo, 2026b). A grande sofisticação dessa técnica reside na capacidade de aproveitar as propriedades naturais da matéria-prima para criar junções firmes sem recorrer a colas ou ferragens metálicas (Nishiyama, 2026).
A história desse fazer mostra que as primeiras soluções eram simples e consistiam na amarração de toras com o auxílio de cordas e fios, o que trazia problemas de durabilidade (Japan House São Paulo, 2026d). Com o tempo, os artesãos evoluíram para o corte e entalhe preciso da madeira, trabalhando superfícies planas para evitar frestas que pudessem comprometer a resistência das estruturas sob carga (Japan House São Paulo, 2026d). Esse refinamento técnico atingiu novos patamares no Período Edo, época em que a valorização da estética permitiu o desenvolvimento de encaixes até mesmo em superfícies curvas (Japan House São Paulo, 2026d).

O uso dos encaixes abrange desde objetos utilitários cotidianos até complexas construções civis (Japan House São Paulo, 2026b). Na marcenaria fina, denominada sashimono, os mestres carpinteiros combinam tábuas e hastes para fabricar mobiliário como cômodas e escrivaninhas sem fixadores externos, inserindo uma espiga de madeira diretamente em uma cavidade esculpida (Japan House São Paulo, 2026c). Já na escala arquitetônica, esse sistema recebe o nome de tsugite-shikuchi e atua como uma tecnologia estrutural fundamental, equilibrando a durabilidade da obra, a viabilidade de construção e a beleza ornamental (Japan House São Paulo, 2026b).

Embora a maior parte da arquitetura tradicional do Japão se baseie rigidamente em sistemas de pilares e vigas verticais, existem exceções notáveis de engenharia em arco apresentadas no evento (Japan House São Paulo, 2026e). É o caso da famosa Ponte Kintaikyō, localizada na cidade de Iwakuni, que se destaca por vencer um vão livre de 36 metros sobre as águas sem necessitar de nenhum pilar intermediário de sustentação (Japan House São Paulo, 2026e). Essa impressionante obra em arco de madeira foi erguida pela primeira vez em 1673 e se mantém preservada por meio de reconstruções e manutenções periódicas ao longo dos séculos, tendo sua estrutura atual reconstruída entre os anos de 2003 e 2005 (Japan House São Paulo, 2026e).

Na exposição paulistana, os visitantes têm a oportunidade única de desvendar os segredos dessas conexões que normalmente ficam ocultas dentro das estruturas prontas (Nishiyama, 2026). Os painéis e peças expostas revelam o interior detalhado dos encaixes e convidam o público a testar a eficiência e a solidez geradas pela tensão entre as partes (Geenen, 2026). Dessa forma, a iniciativa celebra o valor do trabalho manual e a transmissão de saberes profissionais que transformam uma árvore da floresta em um elemento eterno de engenharia (Japan House São Paulo, 2026b).
Referências
