Casa Circular
A Casa Circular nasceu do desejo dos proprietários de envelhecer com qualidade na residência e de receber seus pais, já em idade avançada, com autonomia e conforto. O projeto deveria permitir o acesso a todos os níveis sem escadas ou elevadores. Deveria também incorporar à rotina oportunidades de caminhar, tomar sol, cuidar da horta e desfrutar do jardim e da paisagem. Essas demandas deram origem ao partido arquitetônico: um percurso contínuo de rampas que organiza a casa e convida seus moradores a se movimentarem ao longo do dia.
Esse percurso começa na garagem do subsolo, onde também estão o escritório e a lavanderia, e chega ao pavimento principal, que reúne estar, cozinha, lazer e suítes. A partir daí, segue até o teto-jardim, destinado também ao cultivo da horta, e alcança o mirante, situado acima do volume de pé-direito duplo da cozinha. A diferença de altura entre o jardim e o mirante constitui o último trecho dessa subida. Assim, tanto a chegada de carro quanto o acesso aos espaços externos integram o deslocamento cotidiano pela residência.
As rampas envolvem a construção em espiral e oferecem, ao longo do caminho, diferentes perspectivas dos ambientes, da vegetação e da paisagem. Mais do que ligar os quatro níveis, elas transformam a circulação em uma atividade incorporada à vida da casa, associando movimento, convivência e contato com o exterior.
Um brise-soleil metálico desenhado especificamente para o projeto acompanha as rampas. Ele protege a circulação externa, filtra a incidência solar e confere unidade à composição arquitetônica, preservando a relação visual com o entorno. Em frente ao estar, trechos do brise se abrem em pétalas por meio de um sistema automatizado, permitindo ajustar o sombreamento e a integração entre interior e exterior.
No pavimento principal, a distribuição dos ambientes favorece a convivência e a continuidade entre as áreas sociais. A cozinha ocupa uma posição central entre o estar, o lazer e a piscina, funcionando como espaço de encontro e articulação da rotina. Voltada para a vegetação existente no condomínio, destaca-se pelo pé-direito duplo, que define também o volume sobre o qual se localiza o mirante.
A cozinha recebe iluminação zenital e conta com aberturas dispostas para favorecer a ventilação cruzada. As janelas altas permitem a saída do ar aquecido acumulado na parte superior do ambiente, contribuindo para a renovação do ar pelo efeito chaminé. O brise filtra a incidência solar, enquanto o teto-jardim contribui para reduzir o aquecimento da cobertura. Em conjunto, essas soluções passivas favorecem o conforto térmico da residência e buscam reduzir ao mínimo a necessidade de uso do ar-condicionado.
Na Casa Circular, o desejo de viver com autonomia ao longo dos anos orienta a forma e o uso dos espaços. O percurso que parte do subsolo, atravessa o pavimento principal e chega à horta e ao mirante faz do movimento diário uma parte natural da experiência de morar.
O projeto reúne ainda soluções voltadas ao uso eficiente de energia e água: placas fotovoltaicas para geração de eletricidade, coletores solares para aquecimento de água e um sistema de aproveitamento de águas pluviais com armazenamento no subsolo. O brise-soleil, o teto-jardim e as aberturas que favorecem a ventilação cruzada, a saída do ar aquecido e a iluminação natural complementam essas estratégias ao reduzir a demanda por climatização e luz artificial. As rampas permitem a circulação entre todos os níveis sem depender de elevador. A implantação respeita a topografia original, com soluções projetuais que dispensam aterros e muros de arrimo, e mantém totalmente permeável a área no entorno da construção.
Categoria: Residencial
Localização: Indaiatuba
Ano: 2025
Área: Não divulgada
Escritório: EFC Arquitetura
Créditos: Carolina Mossin
