Casa Circular
Projeto elimina degraus e elevadores com sistema de rampas em espiral e fachada metálica automatizada
Localizada em Indaiatuba, na Região Metropolitana de Campinas, a Casa Circular responde a duas premissas centrais estabelecidas pelos proprietários: a exigência de acessibilidade universal — sem o uso de degraus ou elevadores — e a inclusão de uma horta produtiva na cobertura. A solução adotada pelo arquiteto Eduardo F. Correia estrutura-se por meio de um sistema periférico de rampas que envolve a edificação em um percurso em espiral. Essa circulação contínua conecta os quatro níveis do projeto, partindo do subsolo — que abriga a garagem, o escritório e a lavanderia — em direção ao pavimento principal, onde se concentram as salas de estar, a cozinha, o setor de lazer e as suítes. O trajeto ascendente prossegue até atingir o teto-jardim e culminar no mirante, localizado no ponto mais elevado da edificação.
A envoltória do projeto é definida por uma pele de brises metálicos que reveste todo o perímetro do sistema de rampas, conferindo unidade formal à volumetria e filtrando a radiação solar. No trecho frontal à sala de estar, o fechamento ganha um sistema automatizado com abertura em pétalas, permitindo ajustar o sombreamento conforme a variação da insolação ao longo do dia. Além de otimizar a entrada de luz natural, esse mecanismo articulado modula a permeabilidade visual entre os ambientes internos e a paisagem do entorno.
No arranjo interno, a cozinha assume a posição de eixo articulador, integrando a área social, o setor de lazer e a piscina. Voltado para a vegetação preservada do condomínio, o espaço conta com pé-direito duplo projetado para maximizar o conforto térmico passivo. A eficiência climática apoia-se em estratégias de ventilação cruzada e iluminação zenital, potencializadas por janelões elevados que induzem o efeito chaminé para a exaustão do ar quente acumulado, assegurando temperaturas amenas sem a necessidade de climatização artificial.
A concepção arquitetônica reinterpreta preceitos do modernismo corbusiano — como a valorização do teto-jardim, a circulação fluida por rampas e o aproveitamento da iluminação natural — ao associá-los a tecnologias de sustentabilidade ativa. A infraestrutura da residência integra painéis fotovoltaicos para geração de energia, sistema de aquecimento solar, reservatório para reuso de águas pluviais e automação residencial, alinhando o desempenho técnico à proposta espacial do projeto.
Categoria: Residencial
Localização: Indaiatuba
Ano: 2025
Área: Não divulgada
Escritório: efc Arquitetura
Créditos: Carolina Mossin
