Escola de Mulheres Criadoras

Com estrutura de bambu e paredes de pau-a-pique, o salão octogonal da Escola de Mulheres Criadoras em Botucatu concorre ao 3º Prêmio PROJETO de Arquitetura.

Indicado ao 3º Prêmio PROJETO de Arquitetura — relevante premiação de abrangência nacional —, o projeto da Escola de Mulheres Criadoras, localizado em Botucatu, São Paulo, destaca-se por combinar soluções naturais de baixo impacto ambiental. A edificação busca promover o diálogo direto da arquitetura com a ecologia, a ancestralidade, o universo feminino e os povos originários — pautas consideradas urgentes no cenário contemporâneo. A instituição, conduzida por Rita Monte — terapeuta que há mais de dez anos atua no desenvolvimento e no empreendedorismo femininos —, configura-se como o único centro brasileiro de estudos e práticas da criação somática feminina e do empreendedorismo energético. Fundamentada no estudo do feminino, a escola oferece mentorias voltadas à superação de bloqueios internos, instrumentalizando as participantes com ferramentas, linguagens e práticas somáticas para ativar capacidades de criação, liderança e prosperidade no campo dos negócios. Operando desde 2023 em formato digital para uma comunidade internacional, a instituição inaugurou, em 2025, sua sede física para viabilizar vivências em grupo e processos profundos de liberação de traumas.

A concepção do salão principal reflete diretamente a força realizadora e o arcabouço conceitual de sua idealizadora. O espaço foi projetado para expressar os ciclos vitais — alternando períodos de expansão e reclusão —, bem como o movimento e a proeminência do sol. Como resposta arquitetônica a essa premissa, a edificação foi estruturada com oito lados e um centro direcionado à marcação dos solstícios e dos equinócios. A espacialidade circular interna, resguardada por uma cobertura quadrangular, materializa a complementaridade de forças. A demanda por iluminação superior — idealizada para permitir a contemplação do céu — resultou em uma projeção de luz alaranjada gerada pelo sol na própria estrutura, a qual caminha e se desloca dinamicamente pelo recinto.

O projeto arquitetônico é de autoria de Tomaz Lotufo, contando com o apoio de Lari Superti, enquanto os registros fotográficos ficaram a cargo de Lela Leme. A execução técnica mobilizou Shiguenao Bambu e equipe no fornecimento do material e na montagem da estrutura, auxiliados por Marcel Alonso e equipe, além do Bambugenheiro Natan, responsáveis pelas estruturas de bambu, paredes e revestimentos. A fundação, a consolidação dos pisos e os arremates foram executados por Ana Brant e Célio da Cunha, ao passo que a cobertura foi estruturada por Antonio Sergio e Joaquim. Em termos materiais, a obra se caracteriza pelo emprego de pilares e sistemas de cobertura em bambu associados a generosos beirais, telhas cerâmicas e esquadrias de vidro, apresentando fechamentos verticais em paredes de pau-a-pique com acabamento em reboco e pintura de terra com cal.