Sede Administrativa Jazam Alimentos
A história da Jazam começa muito antes da inauguração de sua nova sede administrativa. Mais do que ocupar um lote, a nova sede se enraíza
Descrição enviada pelo escritório: A história da Jazam começa muito antes da inauguração de sua nova sede administrativa. Ela nasce da sensibilidade de um homem do interior, do olhar atento para a terra, do trabalho construído com constância e da capacidade rara de perceber, no tempo certo, os movimentos da natureza, da produção e do mercado.
Fundada a partir da trajetória visionária de Jairo Antonio Zambon, a empresa carrega em sua origem valores profundamente ligados ao território brasileiro: trabalho, intuição, coragem, adaptação e vínculo com a produção agrícola que moldou o desenvolvimento da Alta Paulista e de tantas cidades do interior de São Paulo. Do café ao amendoim, da exportação aos doces tradicionais, da indústria familiar à potência nacional, a Jazam construiu ao longo de décadas uma história enraizada na cultura produtiva do interior, uma história feita de continuidade, reinvenção e pertencimento.
Foi justamente dessa trajetória que nasceu o projeto da nova sede: não apenas como resposta funcional a uma demanda de crescimento, mas como a oportunidade de traduzir arquitetonicamente a identidade de uma empresa que amadureceu sem perder suas raízes. A antiga sede administrativa, construída na década de 1970, já não representava mais a empresa que a Jazam havia se tornado. Compartimentada em pequenas salas, com pé-direito baixo, pouca ventilação e escassa relação com o exterior, ela refletia um modelo de trabalho incompatível com a cultura contemporânea da empresa mais colaborativa, integrada, transparente e preparada para o futuro. A nova sede surge, então, como um marco de transição geracional, institucional e simbólica. Mais do que abrigar equipes, ela precisava expressar solidez, acolhimento, inovação, memória e permanência. Precisava ser, ao mesmo tempo, robusta como a história da empresa e leve como a visão de futuro que a impulsiona.
A escolha da área foi um dos gestos mais importantes do projeto. Implantada sobre o antigo estacionamento da empresa, a nova sede encontrou seu lugar em um ponto estratégico do complexo industrial, não apenas por sua viabilidade dimensional, mas, sobretudo, pela presença de uma moldura natural já existente, formada por árvores adultas que circundavam o terreno. Desde o início, um pedido da direção da empresa orientou de forma decisiva o projeto: preservar integralmente as árvores existentes. Essa diretriz não foi tratada como restrição, mas como valor fundamental. A manutenção de 100% da vegetação consolidada permitiu que a nova sede nascesse em diálogo direto com a paisagem, abraçada por sombra, escala humana e permanência. Dessa decisão nasce uma das camadas mais sensíveis do edifício: sua forte dimensão biofílica. A presença do verde não atua como complemento decorativo, mas como estrutura viva do projeto, filtrando luz, suavizando a relação com o parque fabril, qualificando os ambientes internos e reforçando uma atmosfera de conforto ambiental, bem-estar e pertencimento. Mais do que ocupar um lote, a nova sede se enraíza. Ela reconhece o tempo da paisagem, respeita o que já existia e se insere como continuidade de um ambiente cultivado ao longo de décadas.
Outro ponto central do projeto foi a definição do sistema construtivo. Para atender às demandas de uma indústria consolidada, em plena expansão e com visão de longo prazo, era fundamental conceber um edifício de baixa manutenção, alta durabilidade e grande robustez construtiva. A solução encontrada foi o uso do pré-moldado de concreto, sistema capaz de responder com precisão a essas exigências de permanência, racionalidade e eficiência. Mas sua adoção trouxe um novo desafio: como transformar um sistema associado à frieza, à rigidez e à neutralidade industrial em uma arquitetura capaz de emocionar, acolher e representar uma marca carregada de memória e afeto? A resposta do projeto foi não negar a matéria, mas ressignificá-la. Em vez de ocultar a lógica construtiva, o edifício a assume com clareza. A estrutura em concreto se apresenta como expressão de força e permanência, mas é equilibrada por gestos arquitetônicos que lhe conferem leveza, ritmo e identidade.
A principal estratégia volumétrica foi conceber o edifício como um bloco suspenso, quase como uma massa que toca o solo com delicadeza. No pavimento térreo, recuos e transparências criam a sensação de que o volume superior flutua sobre a paisagem, gerando uma presença marcante, porém não opressiva. Essa operação confere ao edifício uma imagem de estabilidade sem rigidez, de peso sem brutalidade. É uma arquitetura que traduz, em sua forma, aquilo que a própria Jazam representa: uma estrutura sólida, construída ao longo do tempo, mas permanentemente aberta ao movimento, à transformação e ao crescimento. Se a estrutura traduz permanência, a fachada é o ponto em que a arquitetura encontra, de maneira mais evidente, a identidade afetiva da marca. Era essencial que a nova sede não fosse apenas um edifício corporativo eficiente, mas também um espaço capaz de expressar a essência de uma empresa ligada ao universo do doce, da memória afetiva, da cor e da alegria.
Nesse sentido, o projeto encontrou no Coloreti, um dos produtos mais emblemáticos da Jazam, a síntese perfeita entre marca, cultura e linguagem visual. Os elementos da fachada foram concebidos a partir da geometria circular e lúdica dos confeitos, reinterpretados em uma composição arquitetônica contemporânea. Brises e painéis compõem uma segunda pele que protege a fachada principal, voltada para o norte, filtrando a incidência solar e qualificando o desempenho ambiental do edifício. Mas essa pele vai além da função técnica. Ela introduz no conjunto uma camada de identidade, leveza e movimento. As formas circulares, em diferentes posições e profundidades, criam um ritmo visual dinâmico, como se a fachada capturasse a energia vibrante da marca e a transformasse em sombra, textura e luz. As cores aplicadas nesses elementos evocam diretamente o universo do Coloreti e reforçam, com delicadeza, a brasilidade e a expressividade do projeto. Não se trata de aplicar a marca sobre o edifício, mas de traduzir sua essência em arquitetura. Assim, a fachada se torna simultaneamente pele climática, elemento de conforto ambiental, filtro de luz e dispositivo narrativo -- uma superfície que protege, identifica e emociona. A presença dessa segunda pele produz uma das qualidades mais marcantes do edifício: a transformação contínua da luz ao longo do dia. No interior, a incidência filtrada cria uma ambiência mutável, onde sombras, texturas e desenhos se projetam sobre pisos, paredes e superfícies, oferecendo diferentes experiências de percepção em cada horário. Esse jogo entre luz e sombra rompe a rigidez esperada de uma construção industrializada e introduz no cotidiano dos usuários uma dimensão mais sensível, quase contemplativa. A arquitetura deixa de ser apenas abrigo e passa a ser também experiência.
No saguão principal, a entrada de luz zenital reforça esse caráter. A iluminação natural vinda da cobertura valoriza a verticalidade do espaço e qualifica o percurso de quem chega, tornando o acesso ao edifício um momento de transição entre a lógica objetiva da indústria e uma atmosfera mais humana, simbólica e acolhedora. No centro desse espaço, a escada em espiral atua como elemento escultórico e articulador. Mais do que um dispositivo de circulação, ela organiza o olhar, conecta os pavimentos e oferece uma experiência de contemplação em 360 graus do coração do edifício. Sua presença confere fluidez, centralidade e movimento ao conjunto. A nova sede também foi pensada como um espaço de preservação da memória e de celebração da trajetória da empresa. Ao longo do projeto, tornou-se evidente que contar a história da Jazam não era um gesto complementar, mas parte essencial da própria arquitetura.
Por isso, foi criada uma área de contemplação e narrativa institucional que apresenta a linha do tempo da empresa, resgatando desde os primeiros passos de Sr. Jairo até a consolidação da marca como referência nacional. Esse espaço não foi concebido apenas como exposição, mas como experiência simbólica. O painel histórico, implantado no saguão, estabelece um diálogo entre passado e presente e transforma a circulação cotidiana em encontro com a memória. A escolha de destacar a figura do fundador não atende apenas a uma dimensão biográfica, mas reforça uma ideia central do projeto: toda grande construção começa por uma visão. No caso da Jazam, essa visão nasceu do interior, da observação da terra, da leitura do clima, da sensibilidade para o sabor, da coragem empreendedora e da capacidade de transformar oportunidade em legado.
A sede, portanto, não conta apenas a história de uma empresa. Ela conta a história de uma forma de construir no Brasil, vinculada ao trabalho, à produção, à inteligência prática e ao desenvolvimento regional. Internamente, o projeto buscou romper definitivamente com a lógica compartimentada da antiga sede. Os novos escritórios foram concebidos como ambientes mais abertos, integrados e colaborativos, favorecendo a interação entre equipes, a fluidez da comunicação e uma dinâmica de trabalho mais contemporânea. A arquitetura passa, assim, a refletir a própria transformação da empresa: de uma estrutura mais fechada e setorizada para uma cultura organizacional mais conectada, estratégica e preparada para crescer. Ao mesmo tempo, essa abertura não significou perda de acolhimento. A ambientação interna incorpora referências sutis ao universo do interior paulista, às festas populares, à cultura afetiva dos doces e à brasilidade da marca. Cores, elementos gráficos, obras e detalhes de composição ajudam a construir uma atmosfera próxima, calorosa e identitária, uma linguagem que aproxima o corporativo do humano.
O resultado é um edifício que equilibra eficiência e afeto. Um lugar onde se trabalha, mas onde também se reconhece uma história, um território e uma cultura. A sustentabilidade do projeto não está apenas em soluções pontuais, mas sobretudo em sua lógica de permanência. Preservar integralmente a vegetação existente, implantar o edifício em uma área já consolidada, adotar um sistema construtivo de alta durabilidade e baixa manutenção, utilizar proteção solar passiva por meio da dupla pele e favorecer a entrada controlada de luz natural são decisões que revelam uma compreensão madura do que significa construir com responsabilidade. Nesse sentido, a sustentabilidade aparece não como discurso, mas como coerência entre forma, implantação, matéria e desempenho. É uma arquitetura que entende que construir bem também é construir para durar, reduzir passivos, valorizar recursos existentes e promover conforto ambiental com inteligência.
Inaugurada em 7 de abril de 2025, a nova sede administrativa da Jazam marca mais do que a conclusão de uma obra. Ela simboliza a entrada da empresa em um novo ciclo de crescimento, profissionalização e expansão, um ciclo em que a estrutura física finalmente alcança, em expressão e qualidade espacial.
Categoria: Comercial
Localização: Pompeia
Ano: 2025
Área: 1.321m²
Escritório: Baunstark & Dias Arquitetura
Créditos: Ana Beatriz Colombo
