O que faz ganhar prêmio na arquitetura?

Uma reflexão sobre identidade regional, soluções inteligentes e compromisso social.

Nos últimos dias vimos algumas postagens sobre o projeto do arquiteto Zé Vagner, vencedor do prêmio ArchDaily Building of the Year 2026 na categoria Houses - Mas aqui, queremos refletir sobre a questão: O QUE NA ARQUITETURA GANHA PRÊMIO?

A “Casa de Mainha” venceu o ArchDaily Building of the Year 2026 na categoria Houses, num prêmio que recebeu mais de 120 mil votos de leitores de mais de 100 países. Localizada em Feira Nova, cidade de 20 mil habitantes no agreste pernambucano, a Casa de Mainha venceu com mais de 120 mil votos de leitores de mais de 100 países. 

Identidade regional. O projeto valoriza a identidade da família e assume suas raízes. Zé Vágner manteve a essência da família e usou materiais típicos da região — adobe, madeira, ladrilho e cerâmica, numa casa originalmente construída nos anos 1980 pelos próprios pais. Zé Vagner manteve a essência da casa construída nos anos 1980 pelos próprios pais e utilizou materiais típicos da região: adobe, madeira, ladrilho e cerâmica.

Inteligência climática de baixo custo. O arquiteto aumentou o pé direito de 2,40m para 4,4m em um trecho, desnivelou as águas da cobertura e encaixou uma faixa de cobogós, criando um exaustor natural com troca de ar constante. “O vento quente, como é mais leve, sobe e sai pelos cobogós”, explica.

Compromisso social real. A proposta valorizou o saber popular e a participação de trabalhadores da própria comunidade, estabelecendo um diálogo entre tradição construtiva e contemporaneidade.

Projeto nascido do afeto. A reforma foi um gesto de devolução para a mãe, que vive na única casa em que já esteve e nunca teria condições de contratar um arquiteto. O projeto nasce do cuidado e da memória. “Sou nascido e criado nessa casa. Foi a primeira e única casa dela, que vai fazer 60 anos. Ela nunca teria condição de contratar um arquiteto. Então esse projeto só existe por esse movimento do filho que devolve um pouco para a mãe”, conta Zé Vágner.

O arquiteto pernambucano, Zé Vagner, ouviu. - A mãe, ouviu o lugar, ouviu o clima, traduziu tudo isso em ventilação cruzada, luz natural e ambientes que respiram. A identidade cultural não é decoração aqui — é estrutura, é partido, é argumento. O projeto também carrega uma narrativa humana incontestável: O filho arquiteto que volta às raízes e transforma a casa da infância com as ferramentas que o mundo lhe deu. Soluções inteligentes de baixo custo que funcionam de verdade.

Zé Vagner não colocou apenas uma cidade no mapa. Ele lembrou ao mundo que aquilo que nasce do amor, da fé e da coragem de honrar suas raízes não precisa da permissão de ninguém para ser extraordinário.

Projeto: Casa de Mainha
Ano: 2025
Arquiteto: Studio Zé
Área: 165 m2