OSWALDO ARTHUR BRATKE: O LEGADO MODERNO QUE NASCEU NO INTERIOR PAULISTA

A arquitetura moderna brasileira, rica em mestres que definiram a paisagem urbana do século XX, deve muito aos talentos que emergiram além das capitais paulista e fluminense. É o caso de Oswaldo Arthur Bratke (1907-1997), engenheiro-arquiteto nascido em Botucatu, no interior de São Paulo, que se consolidou como um dos mais expressivos representantes das primeiras gerações do modernismo no país.

Formado em Engenharia-Arquitetura pela Escola de Engenharia Mackenzie em 1931, Bratke combinou rigor, talento e uma profunda sintonia com seu tempo, passando de uma fase pré-modernista ao seu auge modernista. Ao longo de mais de quatro décadas de atividade profissional, ele manteve um dos escritórios de arquitetura mais ativos do Brasil, acumulando um acervo extenso de obras, com a projeção e implantação de mais de 1.200 a 1.300 edificações de norte a sul do país.

Sua maturidade profissional, especialmente a partir dos anos 1950, demonstrou uma clara influência de Mies van der Rohe, priorizando a valorização expressiva da estrutura. A arquitetura de Bratke, frequentemente descrita como elegante e simplificada em seus traços suaves, era marcada pela racionalidade na definição dos espaços e no uso dos materiais, além de um apuro no detalhamento e na integração entre o interior e o exterior. Ele era um fértil inventor interessado em tudo que envolvia a criação do espaço moderno, inclusive projetando mobiliário, luminárias e componentes construtivos. Em sua filosofia, a obra deveria servir à sua clientela e às funções vitais das pessoas, e não ser "um monumento a si próprio". Sua abordagem era mais que formal e tectônica, era social.

Embora a diversidade de seus projetos tenha abrangido escolas, hospitais — como o Hospital Infantil do Morumbi, atual Hospital Infantil Darcy Vargas —, indústrias, edifícios comerciais e o projeto das edificações do Parque Ibirapuera, Bratke é frequentemente lembrado como um mestre inigualável na arte de criar espaços domésticos acolhedores e funcionalmente adequados.

Essa maestria residencial ficou evidente na cidade de São Paulo, onde ele deixou marcas permanentes. Nos anos 1950, em parceria e amizade duradoura com Oscar Americano de Caldas Filho — seu colega de faculdade —, Bratke foi fundamental na criação, planejamento e urbanização do bairro Paineiras do Morumbi, na Zona Oeste da cidade. Para essa área, ele projetou sua própria residência e estúdio, bem como uma das casas mais emblemáticas da época, a notável Residência para o Sr. Oscar Americano.

A abrangência de Bratke, no entanto, superou as fronteiras paulistas. Ele não apenas focou em projetos residenciais, mas planejou e implantou assentamentos urbanos completos, como a Vila Amazonas, no Acre, e a Serra do Navio, no Amapá. Esta última, projetada para ser uma cidadela autossuficiente cercada pela floresta, foi um dos seus projetos mais ambiciosos e hoje é considerada patrimônio cultural pelo Iphan.

Com uma trajetória sólida que incluiu a presidência do IAB-SP em duas gestões (1950 a 1954) e o mentorado de arquitetos importantes como João Vilanova Artigas e Carlos Lemos, Oswaldo Arthur Bratke, nosso engenheiro-arquiteto de Botucatu, deixou-nos um legado estético, funcional e de rigor estrutural da arquitetura moderna brasileira.

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Oswaldo Bratke. Fonte: Urbipedia.

Balneario en Aguas Lindoia, Sao Paulo (1954-1959)

 Balneário Municipal de Águas de Lindóia, Sao Paulo (1954-1959). Fonte: Urbipedia. 

Fachada

Gran Hotel de Campos do Jordão, atual Senac (1944). Fonte: Grande Hotel Senac.

Referências:

https://www.archdaily.com.br/br/tag/oswaldo-bratke

https://arquivo.arq.br/profissionais/oswaldo-bratke

https://www.urbipedia.org/hoja/Oswaldo_Bratke

https://www.acervos.fau.usp.br/item/13963

https://etel.design/designers-e-artistas/modernistas/oswaldo-bratke

https://www.fundacaooscaramericano.org.br/oswaldo-arthur-bratke/

https://grandehotelsenac.com.br/ghj_hotel/galeria-de-fotos/