Remodelação

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Dois Tempos

Falar sobre "Dois Tempos" é contar uma História sobre épocas diferentes. É sentar na varanda num fim e tarde de Domingo ouvindo a cadeira balançar enquanto a nostalgia da infância chega leve, como a brisa de verão. É pensar, que nos dias atuais, essa brisa passa despercebida, pois a falta de conexão com o entorno faz o tempo passar sem sentir nada. É refletir sobre o que passou e o que é presente. Garimpar um imóvel antigo era a premissa do cliente. Não bastava só carregar a história, mas ter potencial de transformação, para se tornar o novo Cartório Civil de Jaú. Assim, a Casa Rangel 608, a qual foi um refúgio familiar por gerações, localizada em uma das principais ruas do centro da cidade, foi a escolha que garantiu a realização desse sonho. Fazer a adequação de uso do Patrimônio Histórico talvez seja o maior desafio, pois o atendimento ao público requer cuidados com acessibilidade, readaptação de ambientes e tecnologia, para comportar todos os detalhes de funcionamento e lógica espacial. Para isso, a criação da rampa de acesso trouxe um passeio visual, por onde é possível admirar os detalhes construtivos do que está por vir. A fim de garantir a ventilação natural e o controle solar, nos dias de calor excessivo, a recepção externa ganhou cobertura articulada e brises verticais, para acomodar os clientes nos dias em que há maior fluxo de pessoas. Além disso, a alteração de uso abre lacunas a serem observadas sobre a necessidade de melhoria na segurança para documentos e alguns serviços a serem realizados. A disposição dos ambientes eram os fatores mais relevantes a se considerar na formulação dos espaços e acréscimo deles. Dessa forma, a construção de anexos e abertura de vãos garantiram a ligação entre os espaços, preservando a arquitetura e melhorando a circulação e comunicação entre eles. O Conceito do Projeto "Dois Tempos" fala sobre uma Arquitetura de época, cheia de elementos e cuidados ornamentados, na qual o processo era saboreado no seu tempo, no seu ritmo de conquistas minuciosas, com camadas de pinceladas históricas. O Atual não tem tempo a perder. Trabalha pelo imediatismo e com resultados perfeitos. Precisa ser prático e funcional. Precisa ser contrário ao que se foi. Materiais originais como paredes em tijolos maciços, piso de assoalho, degraus em granilite e as diversas camadas de tintas em pilares e esquadrias foram cuidadosamente restaurados, para aquecer os ambientes de trabalho e contar mais sobre sua história. Para incorporar os novos espaços, o uso de elementos arquitetônicos "claros e simples" possibilitaram manter evidente a arquitetura existente. Blocos robustos e minimalistas, com cores terrosas e vibrantes criam contrastes, mas dialogam com os tijolos das alvenarias aparentes, trazendo um link entre períodos arquitetônicos. Trabalhar o Retrofit da arquitetura de patrimônio histórico traz uma reflexão sobre o que se pode deixar como marcas desse tempo. Existe graça no que parece ruína e deixar isso escancarado mostra que as rugas fazem parte da beleza.

Por Studio Neuville

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Residência A Porta Azul

Por Rafael Pinoti

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LOJA 2 TETÊ CONFEITARIA

Por gabriel santiago de oliveira

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apartamento não sou

"não sou" foi birra! um nome para um projeto que sequer havia sido discutido ainda? ficou. "não sou". Sobre o projeto. Um apartamento no 8º pavimento. Aproximadamente 22 metros de altura com varanda direcionada ao aeródromo municipal, região de perspectiva desobstruída e um vultoso nascer do sol. O primeiro plano de projeto foi suprimir a varanda e levar o apartamento até o limiar da fachada, solução para ampliar o ângulo de visão da vista externa. O segundo plano foi lidar com a desconstrução dos compartimentos sem que algum ambiente fosse condenado à sua função essencial. Começamos a pensar no dormitório e simulando situações casuais, alguns pequenos espaços geralmente negligenciados foram expostos e ocupados ocasionalmente, coadunando áreas de estar e interação entre quem senta na base da cama e transforma a borda do colchão em espaldar e quem cozinha ou se joga no sofá. O terceiro plano foi tratar a área de operação com o máximo de discrição possível. Removemos os ruídos visuais e dividimos cozinha, lavanderia e despensa em 3 módulos de armários com dimensões distintas. Cada módulo de armário acomoda equipamentos, eletrodomésticos, produtos e sistemas especificados para funcionar dentro da proposta de projeto . Para nós que fizemos o projeto e administramos a obra, dois pontos merecem menção. O piso do apartamento foi feito em fulget (moldado in loco). Para viabilizar este processo, uma estratégia foi elaborada entre os colaboradores que trabalhavam em frentes distintas de execução concomitantemente. Definimos dividir a execução em 4 etapas para que não houvesse interferência entre competências. A divisão em etapas também otimizou a qualidade do acabamento que precisa ser aplicado e lavado com pressão e o refugo teve que ser removido do apartamento de forma manual com esponjas e descartadas em uma caçamba de coleta no térreo do prédio. Segunda menção vai para a precisão exigida entre projeto, especificação de equipamentos e execução de infraestrutura na área dos módulos de armários. Cada armário acomoda equipamentos que necessitam de alimentação hidráulica, elétrica, sistemas de exaustão e retorno para troca de ar e pressurização e estruturas de suporte para marcenaria. Cada milímetro teve que ser discutido entre as frentes de execução e coordenadas coletivamente para que tudo pudesse funcionar sem que houvesse comprometimento. A configuração do apartamento original propõe uma condição intuitiva de experiência, compartimentando cada pedacinho, sugerindo privacidade e pré-determinando usos e rotina. Nossa intenção foi driblar o bom gosto, o bom senso, os bons modos... a sugestão do novo espaço é não ter sugestão. Abraçar o caos em pequenos ambientes cada vez mais comuns. Palco para um drama de costumes nelson-rodrigueano.

Por gabriel

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Secreto, Salão de Beleza

Secreto é tudo aquilo que não está à mostra, que conserva o mistério e pode ser, também, um convite ao novo. Com base no nome e identidade do salão do Francisco, o projeto foi concebido para além da estética, buscou na funcionalidade cotidiana a compreensão da dinâmica e dos fluxos de um salão de beleza de forma autônoma e complementar, criando uma sinergia. O projeto uniu três salas: duas paralelas e uma perpendicular. A divisão existente entre elas foi organizada a partir do eixo hidráulico comum, subtraindo um quarto de parede e permitindo a passagem e unificação. Daí nascem o fluxo e a setorização das atividades do salão. Na sala perpendicular, ficam o acesso e a recepção, seguidos por uma passagem discreta para a área de equipe e apoio, sem porta e pouco visível. A abertura de um trecho do bloco hidráulico criou a passagem para a área de corte do salão. Todo o bloco recebeu um painel de marcenaria que unifica esses espaços e confere identidade ao conjunto, que inclui o banheiro social, a área técnica e a lavanderia. A junção entre as duas salas paralelas ocorre por meio de trechos removidos de alvenaria, que permitem um fluxo de idas e vindas. Ao todo, são três intervalos, e o que resta de parede serve como suporte para a cadeira de corte. Seis estruturas móveis de serralheria definem as estações de trabalho de cada profissional. Desenhadas em perfil tubular galvanizado, são encaixadas em outros perfis tubulares fixados nas paredes. Duas outras estruturas de suporte com função de armazenamento também foram projetadas, além dos nichos em chapa de aço que apoiam a área dos lavatórios. Talvez o que a arquitetura explorou no Salão Secreto vá além da estética: são seus fluxos e passagens que, de um espaço para o outro, revelam a função de cada ambiente.

Por Estúdio Kaique Xavier + Qoz Arquitetos

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